Quebrada, Argentina pede moratória ao FMI

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O ministro da Fazenda da Argentina, Hernán Lacunza, anunciou nesta 4ª feira (28.ago.2019) que o governo propôs ao FMI (Fundo Monetário Internacional) uma revisão dos vencimentos das dívidas do país. O valor de US$ 56 bilhões começaria a ser pago em 2021.

O ministro disse que as negociações podem ser iniciadas ainda no mandato de Mauricio Macri, mas que terminariam na gestão do próximo presidente, que assume o país em 10 de dezembro.

Lacunza também apresentou medidas para tentar controlar o quadro de instabilidade local. Uma das propostas é a extensão dos vencimentos de dívida de curto prazo para investidores institucionais, como bancos e seguradoras.

Eis as 4 medidas propostas:

  • Pagamentos de contas como LECAPS e LETES para investidores institucionais, como bancos e seguradoras, serão adiados por 3 a 6 meses. Isso implica apenas 10% das emissões desses instrumentos. Os 90% dos detentores, ou seja, os investidores individuais, cobrarão a totalidade na data de vencimento originada sempre que o valor que eles creditarem na conta do cliente na data de vencimento for igual ou menor que o valor registrado na mesma conta no dia 31 de Julho de 2019;
  • Será enviado ao Congresso 1 projeto de lei para permitir o refinanciamento da dívida emitida em pesos de acordo com a legislação argentina. Não será proposto a retirada de juros ou capital. Uma extensão dos prazos é buscada para reduzir o peso do pagamento da dívida durante o próximo mandato presidencial;
  • O governo convocou bancos internacionais para começar a elaborar uma proposta de troca de títulos emitidos ao abrigo da legislação estrangeira. Esse refinanciamento estará aberto à negociação e não haverá remoção de capital ou juros;
  • Lacunza também anunciou que, por sugestão da oposição, propôs ao FMI dialogar para relançar os vencimentos com o FMI. A Argentina deve começar a devolver os 56 bilhões de dólares do stand a partir do 2º semestre de 2021.

Ainda de acordo com o ministro, uma reunião deve ser realizada com representantes do FMI nas próximas semanas. Ele ressaltou que a conversa não muda os pagamentos ou juros, mas apenas estende os prazos para o governo conseguir “implantar políticas sem condicionamentos financeiros”.  Além disso, afirmou que a medida também é uma tentativa de acalmar a economia antes das eleições, marcadas para 27 de outubro.

Segundo ele, Macri lhe pediu para impedir que o dólar e a inflação subam mais.

A Argentina passa por 1 período de instabilidade financeira. O quadro foi agravado depois de Macri perder as eleições primárias, em 11 de agosto, para o oposicionista Alberto Fernández, que tem como vice a ex-presidente Cristina Kirchner e é favorito para o pleito de outubro.

MERCADO REAGE

O risco-país argentino chegou a 2.072 pontos nesta 4ª feira. É o maior valor em 14 anos. O peso perdeu 19,5% de seu valor em relação ao dólar desde 12 de agosto, fechando o dia cotado a 56 pesos para compra e 60 para venda.

Por outro lado, o índice S&P Merval, das principais ações cotadas na Bolsa de Comércio de Buenos Aires, fechou em alta de 3,39%, a 25.458,04 pontos.

Fonte: Poder 360

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