Trabalhadoras da UFS organizam evento em homenagem à Danielle Bispo

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Sexta edição do Dia de Luta contra a Violência à Mulher na UFS organiza coletivo de mulheres, debates e atividades culturais

Do luto à luta. A tarde desta segunda-feira (19), crava os seis anos do assassinato de Danielle Bispo dos Santos, funcionária terceirizada do Restaurante Universitário (Resun) da Universidade Federal de Sergipe. Danielle recebeu 11 facadas de seu ex-companheiro nas dependências do Resun, ela já o havia denunciado na Justiça por agressão e ameaças. Pela sexta vez consecutiva, as trabalhadoras da UFS rememoram a data com uma série de ações políticas e culturais no Hall do Resun. Elas se organizam para debater e pautar as condições de vida, trabalho, segurança e sobrevivência nas dependências da UFS.  O evento também conta com apresentação do grupo de dança “Vaca Profana” e com o balanço do grupo “Samba de Moça Só”.

As mulheres aproveitam a data para lançar o Coletivo Danielle Bispo, organização formada por mulheres da comunidade acadêmica que visa organizar a agenda feminista na UFS. Violência física, simbólica, patrimonial, assédio sexual e moral, dentre uma série de questões que assolam as humanas na sociedade sergipana e brasileira.

O coletivo pretende organizar reivindicações amplas como a construção de creche, fraldário, sala de ordenha, além de reivindicar uma política de segurança que esteja pautada na proteção das mulheres.

“O assassinato de Danielle foi um ato marcante na UFS, um caso de feminicídio que marcou todas nós. Uma mulher assassinada em seu local de trabalho com 11 facadas, é algo estarrecedor. De cá pra lá pouca coisa mudou. As condições de segurança na UFS ainda são muito precárias, a orientação da Universidade é focar na segurança patrimonial, enquanto as humanas seguem se arriscando todos os dias nos seus locais de trabalho e estudo”, comenta Taira Cris, coordenadora de Políticas Sociais do Sintufs.

O evento tem início a partir das 15h no Hall do Resun.

Confira abaixo o manifesto do Coletivo Danielle Bispo

SER MULHER NA UFS – UM MANIFESTO – UM CONVITE

Danielle Bispo dos Santos: mulher, negra, trabalhadora terceirizada, brutalmente assassinada pelo seu ex-companheiro nas dependências da Universidade Federal de Sergipe. Danielle carregava consigo o peso das opressões que culminaram em sua morte. Daniele morreu por ser mulher, por ser considerada objeto de posse de um homem; por estar indefesa e invisível em uma estrutura que a vulnerabilizava de todas as formas. Estava na UFS, trabalhando dentro do Resun, e nada pôde protegê-la da violência e do feminicídio…contava apenas consigo mesma.

Feminicídio, racismo, homofobia, transfobia, machismo, precarização do trabalho, desigualdade social, violência sexual, assédio, dependência financeira, chantagem emocional, abandono parental, culpabilidade. A lista de estigmas que nos é imposta política e culturalmente pela sociedade é imensa e carregá-la nas costas é algo que todas, em diferentes graus ou classes, fazemos todos os dias. Não há, na maioria dos casos, divisão de responsabilidade ou solidariedade na luta diária das mulheres para carregar esse peso.

E o peso da morte de Danielle, quem carrega?

A UFS vêm há tempos silenciando diante das diversas situações de violência vivenciadas pelas mulheres, sem apresentar soluções efetivas, desde a falta de creches até a constante diminuição da segurança nos seus campi.

Nenhuma de nós estará livre ou segura enquanto não virarmos o mundo de cabeça pra baixo. Por isso convocamos todas as mulheres da UFS para a criação do Coletivo Danielle Bispo, um espaço de resistência e interlocução no espaço universitário para lutarmos pelos direitos de todas as mulheres que vivem o cotidiano da universidade. Nosso primeiro encontro será no dia 19/08/19 (dia em que completa 6 anos do assassinato de Danielle), no Hall do RESUN .

Contamos com vocês, pois contamos apenas com nós mesmas.

Fonte: Sintufs

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